Mulheres e Arte
Jurema L. F. Sampaio
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resposta ao e-mail, na lista Edutec.
Olá, Gostaria de comentar alguns dos pontos do texto. Você diz: "Mas nunca entendi porque elas nunca foram artistas tão boas quanto os homens." Eu digo: Discordo. O que eu penso é que, mesmo que elas tenham tido qualquer relevância artística, ficaram restritas (com raras exceções) a um círculo pequeno de conhecedores pela própria razão de sociedades patriarcais onde mulheres não tinha valor algum. E discordo também da afirmativa "Tá certo que arte depende muito de prática e esforço, mas também há rompantes de genialidade que desafiam e desdenham qualquer ensino formal. Não é possível imaginar que um Mozart, um Picasso, um Michelangelo, um Van Gogh, um Dostoievski ou qualquer um desses gênios precisasse de treinamento ou convívio interpares para serem o que foram." É inegável que a "genialidades" desses nomes citados fosse verdadeira, porém, creio que ao se observar suas biografias, encontramos traços "comuns". Todos eles tem talento, sim, mas todos tem 'repertório' de vida. Ou seja, o artista é, antes de tudo, um "retratador' de sua vivência, e como poderiam ter vivência, as mulheres de uma sociedade organizada da forma que era? A questão da "não-objetificação" da mulher é posterior a sua condição de inferioridade sócio-cultural mantida por séculos e enraizada até mesmo nas próprias mulheres. A arte pré-histórica não tem esse fator (homem/mulher) em suas características mas sim o fator comunicação (que eu acho a essência da arte), portanto isso advém de uma cultura ocidental "moderna". Mesma cultura patriarcal dos "compradores" de arte do renascimento. As temáticas ditas "femininas" seriam aquelas as quais as mulheres tinham acesso em termos de vivência. Recentemente pude observar isso num "fita-comentada" da TV Futura, que falava da vida da autora de 'O Morro dos Ventos Uivantes', Emily Bronte. Fica evidente sua vida mediocre (no sentido de repertório), mas sua genialidade (opinião do autor do argumento do filme) é notada na forma com que trata seu texto. Sua irmã (que não me recordo o nome) era considerada "fútil" por acreditar que precisava "viver" para escrever... Na questão "sexista" da arte, eu tenho minhas dúvidas quanto a essa "objetificação", tenho a tendência de pensar em "estilos" diferentes de arte, masculino e feminino. Impressões colhidas nos comentários das pessoas (leigas e da área) na minha última exposição colaboram com isso. Minha temática é nu masculino, o que faz com que algumas pessoas digam que eu "penso igual a homem", por eleger a beleza física masculina como tema. Por quê dizem isso? Fui procurar saber. Segundo consta (me corrijam, os psicólogos presentes), o homem é mais visual que a mulher com relação ao sexo e isso "explica" a quantidade de revistas de nu feminino. Mesmo as de temática gay, por que, em essência, mesmo com sua preferência sexual diferente, o gay é homem.. Se juntarmos as duas coisas: uma sociedade machista e uma característica masculina essencial, dá no que foi chamado de "objetificação" feminina. E isso não tem nada a ver com talento artístico ou capacidade, é somente um 'retrato' social de um momento da arte. Um tio meu uma vez disse, sobre o fato de sua esposa estar sempre, nos fins de semana e em casa, de cabelos enrolados, creme no rosto, etc: "Eu acho que as mulheres se enfeitam é para outras mulheres, não para os homens." O que, creio, é uma falsa percepção da mulher, pois a mulher, penso, se "enfeita" como ele mesmo diz, para si mesma, para se sentir bem. Ser admirada, desejada por isso, é consequencia. Creio, então, que há uma incongruência na afirmativa: "Os homens agem. As mulheres olham." Seguida de: "as mulheres dividem o seu "self" entre a parte de observar (masculina) e ser observada (feminina)". Se os homens "fazem" e as mulheres "olham", porque as mulheres se preocupariam em ser "observadas" numa sociedade machista? Se, ao contrário, são os homens quem "olham" o que as mulheres "parecem ser" (ou o que elas fazem-se ser e não o que produzem), por quê, então, se preocupar com o "olhar" das mulheres, se quem vai avaliar é o homem? Não compreendi a colocação ou mesmo a pertinência e relação social da mesma com a objetificação da mulher. Ainda prossegue: "A mulher passa a ter de observar tudo que faz, porque seu sucesso depende de como ela é percebida pelos outros (e não pelo que ela é ou faz), e o senso de identidade é suprimido pela sensação de ser apreciada pelos outros." Observada e percebida pelos outros "quem"?? Homens ou mulheres? Essa relação de poder masculino X feminino me confunde, afinal, a que o autor credita o sucesso ou fracasso artístico/profissional feminino? A mulher como produtora (artística) ou a mulher como objeto retratado/observado (arte)? Ou a nenhuma das afirmativas anteriores? Socorro! :-)
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