Novas Tecnologias e o Professor de Educação Artística
Jurema L. F. Sampaio
| Resumo
A prática como professora, somada à constatação feita com a rotina como Assessora Técnico Pedagógica de Educação Artística da 2ª Delegacia de Ensino de Osasco 1 - SP, onde fui responsável pela implementação do projeto "Ensino On Line"2, da Secretaria de Educação, me despertou interesse particular o total despreparo dos professores para Novas Tecnologias. Como usuário e, mais ainda, como ferramenta de produção e expressão artísticas. O trabalho foi dividido em duas etapas: Pesquisa para levantamento de dados essenciais e pesquisa bibliográfica para elaboração de possíveis soluções. Baseada numa orientação iniciada na teoria das "Tecnologias da Inteligência – O Futuro do Pensamento na Era da Informática" (Lévy, 1994) acrescida de leituras de trabalhos, principalmente, de José Armando Valente (NIED-UNICAMP) e Liane Tarouco (UFRGS) fiz um levantamento das necessidades práticas dos professores e constatei que a causa principal se localiza na formação básica do mesmo, no que se refere ao tema Novas Tecnologias em geral e, mais ainda, na área específica de informática. Terminei com uma proposta de revisão curricular dos cursos de licenciatura em Educação Artística, propondo a inclusão de uma disciplina com este conteúdo, como sugestão de caminho. Palavras-Chave
The practice as teacher added to the verification done with the routine as Pedagogic Artistic-Education Technical Adviser at Delegacia de Ensino de Osasco - SP, where I was responsible for the implementation of the project "Ensino On Line", woke up me an interest the teachers' total unpreparedness to use New Technologies, as user, and as production tool and artistic expression. The work was divided in two stages: Researches of essential data and bibliographical researches for elaboration of solutions. Based on a orientation, begun in the theory of the "Technologies of the Intelligence" (Lévy, 1994) added of readings works, mainly, of José Armando Valente (NIED-UNICAMP) and Liane Tarouco (UFRGS), I made a study of the teachers' practical needs and I verified that the main difficulty is located in the teacher's basic formation, in general to the theme New Technologies and, stiller, in the specific area of computer science. I finished the work with a proposal of curricular revision in the licenciature courses in Artistic Education, proposing the inclusion of a discipline with this content, as road suggestion. Keywords
A necessidade do Futuro Professor de Educação Artística de conhecer Novas Tecnologias por necessidade própria e por representarem a possibilidade de uma nova linguagem de expressão artística (Krause, 1997) (Kristo e Satran, 1995) é a principal motivação. O profissional produtor artístico, pode não se sentir a vontade para se expressar em novas tecnologias mas como orientador deve conhecê-las entender o universo em que seu alunos trabalham e pensam. Presenciamos a evolução da informática nos últimos anos. Partindo da história dos computadores, passando por uma amostra das possibilidades do aproveitamento da Informática na Educação, centralizando o interesse na área de Educação Artística e entrando um pouco na história e uso da Internet, as questões surgem de forma a esclarecer a necessidade do aluno de um curso de graduação em Educação Artística estar habilitado a trafegar com desenvoltura no tema "Novas Tecnologias" . Este trabalho visa colaborar
na elaboração de um programa mínimo dessa nova
disciplina nos currículos das faculdades de licenciatura, justificada
na minha própria experiência profissional e nas dificuldades
que eu mesma tive que superar, devido à falta de preparo e conhecimento
na área. Sugestão para elaboração de um
plano de curso para a disciplina com conteúdo mínimo suficiente
para "apresentar" ao futuro professor os recursos para melhor desenvolver
seu trabalho, conhecer os principais programas e saber adaptá-los
para o uso na área e, ainda, aprender a utilizar a Internet com
fins de pesquisa e de produção artística pela sua
característica primordial de interatividade. Falar em informática aplicada à educação, pode parecer uma utopia para maioria da população, tornando o computador um objeto "distante", fora da sua realidade. Esta é também a situação da maioria das escolas públicas, que recebem poucos investimentos dos governos para modernização e melhoria da qualidade de ensino (Cosenza, 1995). A proposição de uma alteração nos currículos dos cursos de Educação Artística que inclua matérias como Multimídia e Internet, se mostrou necessária quando, na aplicação do programa "Ensino On Line" evidenciou-se uma resistência grande dos professores. Bem elaborado tecnicamente e formado por um pacote de softwares educativos de qualidade comprovada, o programa, na prática, sofre uma perda de força causada por um fato: o despreparo dos professores para lidar com máquinas. Constatado o fato, no momento da elaboração de um plano de ação para estimulação do uso dos softwares, surgiu a necessidade de elaboração de um programa prévio, mínimo de treinamento no uso dos computadores. Dos 86 (oitenta e seis) professores que se inscreveram no programa de informática interessados em usá-los em suas disciplinas, apenas 04 (quatro) tinham tido algum contato com computadores e somente 01 (um) conhecia e usava a Internet. Em todos os casos, os conhecimentos haviam sido adquiridos por interesse próprio. Apenas 02 (dois) professores haviam tido aulas de informática em sua graduação, sendo esses 02 (dois), formados a menos de 02 (dois) anos e oriundos da área de Ciências Exatas. Desses 86 (oitenta e seis) professores, apenas 05 (cinco) vinham da área artística, gerando um índice percentual de apenas 6%. Usando Pierre Lévy como base e apoiada em 10 textos selecionados na Internet nos arquivos dos centros de pesquisa em Informática na Educação3, criei o projeto "Informática na Escola", que visava iniciar os professores interessados no programa "Ensino On Line" nos caminhos do uso das Novas Tecnologias que se desenvolveu nos laboratórios das escolas. Onde os professores iniciaram o uso dos softwares básicos do Pacote Office da Microsoft e dos softwares educacionais do programa.
Figura
2: "Controle". Devido ao pouco interesse dos professores de Educação Artística (como disse, apenas 05 (cinco) se inscreveram no programa), busquei o motivo desse desinteresse durante o evento Semana de Arte-Educação4 onde apliquei a pesquisa junto aos participantes. Os resultados foram: quase totalidade dos 120 (cento e vinte) professores presentes ao encontro, por volta de 80%, nunca havia usado um computador sequer para redigir um texto, muito menos como forma de expressar seu fazer artístico. O que mais surpreendente entretanto, é a constatação de que, por total desconhecimento das possibilidades a maioria sequer cogitava que arte pudesse ser feita usando um computador como ferramenta e o debate provocado com a apresentação de uma obra (colagem eletrônica) feita em computador por mim e impressa com auxílio de uma plotter, despertou interesse relevante dos profissionais para a temática. Esse saldo positivo levou-me a desenvolver a proposta que apresento: a inclusão da disciplina "Novas Tecnologias e Educação Artística" no currículo dos cursos de licenciatura em Arte-Educação. Referências COSENZA, C.A. (Org.) (1985). Um Relato do Estado Atual da Informática no Ensino no Brasil; Ministério da Educação e Cultura; Fundação Centro Brasileiro de TV Educativa - Versão Preliminar. Brasília. KRAUSE, Kai (Introduction by) (1997) In your face – The best of Interective Interface Design. Massachussetts: Rockport Publisher. KRISTO, Ray e SATRAN, Amy (1995). Interactive by Design – Creating & Comunicating with new media. Montain View, C.A: Adobe Press. LEVY, Pierre (1994). As Tecnologias da Inteligência. São Paulo: Editora 34.
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