Correspondências 4
Jurema
L. F. Sampaio
| Olá.
Novamente não consegui tempo de responder-lhe durante a semana, desculpa. Mas você é prolixo, tanto quanto eu (ou mais!), e deve entender que eu queira responder com tempo para desenvolver as idéias.. Assim espero! hehe
Acho interessante quando você diz que é mais feliz hoje, "sem palcos nem platéias", sempre tive a impressão que artistas, músicos principalmente, gostem e mesmo necessitem do público como algo que faça parte do contexto de sua arte.
Surpreende-me o que você diz da Gal Costa, a impressão que tenho dela é o oposto, de ser uma pessoa zen, legal e, principalmente, que tenha muita musicalidade na vida em geral...
Nunca assisti a show do Caetano, nem tenho disco nenhum dele, mas gosto das letras, acho-as inteligentes. Já o Gil, acho-o meio como você falou, boiolamente exagerado, hehehe mas adoro as músicas dele. Já o Milton, eu não imaginava que fosse assim,brincalhão, ele me parece sério demais até, as vezes. Quando você fala de "Todo artista tem que ir aonde o povo está" é engraçado. Essa e outras músicas do Milton, pontuaram minha vida acadêmica, nos tempos de faculdade... pelas mensagens de uma "necessidade" artística de público que você desmente-me agora com sua mensagem e sua afirmativa sobre grana... Sempre tive, comigo, um desdém por dinheiro que até atrapalha, muitas vezes, a vida profissional. Dinheiro prá mim, me serve na medida que me dê conforto, o que nem sempre é caro.
Conforto de ter uma cama quentinha, uma comida gostosa, uma casa onde me sinta bem... Não para acumular ou dar festas onde se mostre a grana que se tem... Nunca desejei poder e status e, sendo bem franca, sempre associei esse desprendimento financeiro ao meu lado artístico... Mas as coisas que você diz, falam o contrário disso. Não sei então se sou "doida" ou não entro no pique das coisas... hehehe
Religião, ou encarar a espiritualidade como uma, é uma coisa polêmica. Não quero, nem tento, convencer ninguém das minhas crenças, mas me satisfaz encarar como religião. Não sei se por ter sido criada dentro disso ou se por vontade minha mesmo, mas o fato é que me satisfaz encarar como religião. Não sou Kardecista, sou umbandista. É semelhante em essência, mas diferente em métodos. Temos rituais diferentes e esses rituais me trazem coisas boas. Uma sensação de "fazer" de "participar" diferente do kardecismo. Me faz bem assim. Mas procurarei saber sobre suas indicações, afinal, sou curiosérrima!
Você diz: "Estou mandando O Crime contra Tenório, um livro que remonta a tempos que você não viveu nesta vida. Mas não será difícil "entrar" na obra, porque o mundo sempre foi o mesmo..."
Creio que vou gostar de ler isso... tenho grande curiosidade em conhecer períodos obscuros da história.... sério. Empreendo uma pesquisa pessoal sobre o "outro lado" da revolução de 64. Vivi um deles, o lado de passar a infância em "guetos"... Sim, guetos. Ser familiar de militar, mesmo sem entender o que havia, ter que ir prá escola com escolta de soldados...
São coisas que raramente ou nunca se fala sobre o período... Taxam-se filhos de militares, como se fossemos responsáveis ou mesmo concordantes com coisas que mesmo desconhecíamos. Somos rotulados de coisas que nem sabemos como e porque, e isso me intriga. Meu pai, meus "tios" militares, sempre foram e são pessoas que tem suas vidas pessoais e eu não vivi isso atoa... Busco entender o que aconteceu aos outros e saber "de fato", sem rancores, o que aconteceu.
Legal te ver envolvido com O Apito assim, vê-se que você acredita de fato nesse projeto. Mas discordo de ti quanto a viajar.... eu adoro! Pode ser pelo fato que você fala, de você ter passado a vida viajando e eu não, mas adoro conhecer costumes e gente diferente. Os atributos dO Apito realmente empolgam, fico contente e envaidecida de ser convidada por você para falar. Obrigada. Estou a disposição sempre que você queira papear um papo doido com a ciberamiga aqui. Beijinho
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