Minha proposta de vida...

Oi... Que bom que você veio até aqui. Assim, me dá uma chance de falar um pouco do que é minha proposta artística e de vida em geral. 

É um texto "grandinho" eu sei, e sei também que isso é "errado" na web, mas, mesmo assim, vou manter... afinal, "a página é minha, o site é meu, e eu quero"... hehehe Birrenta, né? Mas tem um motivo, falar de minha proposta de trabalho é como falar de mim mesma, da minha vida e dos meus planos. Sou, essencialmente artista, no sentido de estar sempre criando coisas novas, procurando desafios, de estar sempre buscando um “não sei o que” em “não sei onde”, nem “como”... Parece confuso, né? Pois é, também acho... :-) Mas de certa forma, nem tanto. 

Vamos aos "fatos"... É sabido que há vários e vários tipos de pessoas, mas, só de uns tempos prá cá é que comecei a perceber como essas diferenças entre as pessoas pode ser, realmente, um “problema”. A forma de raciocinar, por exemplo. Claro que tenho por base eu mesma e meu próprio raciocínio. Ele, meu raciocínio, não é linear, constante... é um vai-e-vem sem fim. Os pensamentos vem e vão com uma rapidez espantosa. Sempre achei que essa era a forma de todo mundo raciocinar, ou, no mínimo, quando eu não conseguia acompanhar o raciocínio de uma pessoa, eu pensava que era uma limitação do meu próprio raciocínio, tipo “burrice” minha mesmo. Levei um bom tempo dos meus 38 anos, achando que eu era "a burrinha", e o resto das pessoas ao meu redor eram os normais... 

Bom, felizmente (ou infelizmente, podem dizer alguns) comecei a perceber que não é uma questão de burrice ou inteligência, é uma coisa que vai mais além disso, é uma questão de "tipo" de pensamento mesmo, e o meu “tipo” de pensamento, não é nem melhor nem pior que o de ninguém, é apenas diferente. Podem dizer: “Mas, quanta burrice, isso é óbvio!” Não, nem sempre é tão óbvio, não... Já tentaram convencer, no mínimo conversar, com uma pessoa de tipo de pensar diferente do seu? Bom, ou você se sente um ser superior, dotado de uma inteligência que jamais será alcançada pelos pobres mortais, ou, como é mais comum (e era, ou é ainda, o meu caso) se sente uma “anta” completa! 

Em todos os trabalhos que eu desenvolvo, sejam eles técnicos, artístico, de pesquisa ou qualquer tipo, procuro manter a coerência com meu modo de pensar e agir, o que nem sempre é possível ou “entendível” (Ave Magri!!) por parte das pessoas que tenham um modo diferente de pensar.

Não digo aqui sobre níveis diferentes de conhecimento, mas falo, sim, de tipo de pensamento mesmo... Níveis de conhecimento podem variar de acordo com a formação e oportunidades que as pessoas tenham ou tiveram durante suas vidas, mas, modo de pensar nasce com a gente. É só observar as crianças de uma mesma faixa etária que pode-se constatar isso. Algumas são mais “livres” na sua maneira de ser e agir, outras, mais contidas, umas soltam mais a criatividade, de forma expontânea, enquanto outras, só conseguem se soltar mediante a um certo ritual de organização só delas. Nem por isso, uma é melhor que a outra... são apenas diferentes.

Um exemplo prático? Jamais entendi completamente a lógica da matemática. Embora reconheça a necessidade dela e também reconheça que tem uma lógica, não consigo apreender! Não consigo entender o “porque” de algumas coisas que existem dentro dessa ciência. Cheguei a brincar uma vez com a designação de matemática como “ciência exata”, questionando, de brincadeira, como pode uma coisa “exata” variar tanto de acordo com fatores que me parecem tão insignificantes? – Que fique claro, insignificantes no MEU modo de pensar! Eu dizia que: “Exato é geografia! Uma montanha está lá, eu a vejo, eu posso subir nela! Exato é história. Um fato aconteceu e ponto, é fato, não uma coisa variável como uma equação aonde se quer descobrir um valor hipotético de um “X” imaginário. (Depois ainda dizem que artista é que é "maluco"!)  Como já disse antes, demorei um bom tempo para entender essas variantes de pensamento e entender, também, que o meu pensamento e meu modo de agir são considerados não-científicos. 

Os franceses têm um termo para isso, é “bricoleur”, que significa mais ou menos o que parece, uma bricolage mesmo, uma junção de coisas, informações, referências, imagens e fatos para formar um raciocínio.  Esse raciocínio bricoleur se opõem diretamente ao raciocínio dito lógico do engenheiro, por exemplo, como fala-se em geral. O engenheiro exemplifica bem esse contraste. Um engenheiro raciocina de forma absolutamente diferente de um artista. Desde a organização das idéias até as fontes de referência e informações que usa para desenvolver esse mesmo raciocínio, estará sempre presente toda uma lógica própria, “exata”, complexa, extremamente diferente do raciocínio livre e associativo do artista, que, de um pedaço de pano, desenvolve uma obra, independente de aquele pano ser usado inicialmente para aquele fim que ele o destina. Claro que há uma lógica no raciocínio artístico, porém, uma lógica artística, não científica. Na comunicação, ficam mais evidentes essas diferenças. Como artista, já me deparei, diversas vezes, com uma compreensão tão diferente do que eu pretendia quando iniciei um diálogo, que isso começou a me incomodar. Eu tinha a impressão que eu falava (ou falo ainda, isso não acaba nunca!) em “javanês”! 

Tenho uma visão artística das coisas e dos fatos, e uma compreensão igualmente artística, o que torna, as vezes, a comunicação com as áreas “científicas” uma coisa quase impossível. Raríssimas vezes essa comunicação "interdisciplinar" ocorre de forma, digamos, fácil. Para isso ocorrer é necessário, da minha parte e da parte de meu interlocutor, um esforço, tanto meu, de me expressar de forma mais “científica”, mesmo recorrendo a exemplos conhecidos e reconhecidos como padrões, quanto dele ou dela de compreender de forma mais “artística”, menos fechada em conceitos ou esses mesmos padrões. Quando me proponho a um novo trabalho, um desafio, essa minha percepção artística fatalmente estará em primeiro plano, eu sempre direi “sinto” que isso é legal, é bom, é coerente, ao invés de dizer “isso é bom, porque segue essas ou aquelas normas e regras”. Me apaixono pelos desafios e ai me dedico de corpo e alma, chegando, em alguns casos a beirar a loucura. Me entrego de uma forma nada “lógica” ao tema ou trabalho, até extrair dele todas as possibilidades. Gosto de conhecer as regras de uma coisa, seja ela qual for, trabalho ou proposta, mas, em geral, as quebro, ou, no mínimo, discordo delas. :-) Não é uma coisa de discordar por discordar, tipo o espanhol da conhecida piada “Hay govierno? Si, hay. Soy contra!”, é uma coisa interior, de acreditar muito mais no meu próprio potencial criativo do que em regras pré-estabelecidas para resolver um problema, solucionar uma questão ou ainda desenvolver um tema de pesquisa. 

Bom, você deve estar se perguntando, “cadê a proposta dela?”...  Eu te digo, se você está ainda se perguntando isso é porque você e eu, definitivamente temos modos diferentes de pensar...  A proposta é simples, clara até (para mim, claro). Por que brigar entre arte e ciência, entre técnica e criatividade, entre conhecimento técnico e conhecimento artístico, entre razão e intuição? Não seria mais produtivo, para todos, se uníssemos talentos e modos de pensar para um mesmo fim?

PS: Estou de "saco na lua" de receber e-mail de gente que, porque discorda do que e como eu penso e chega até a ser ofensivo e agressivo. Mas que saco! Se não concorda comigo, ok, respeito totalmente seu direito de discordar. Mas não tenho nenhuma obrigação de responder seu e-mail agressivo/recalcado/ofensivo... E vê se pára de torrar meu saquinho, tá? Isso aqui é um site pes-so-al, não devo satisfações de meu modo de pensar a ninguém! Eu pago meu domínio, pago meu provedor e coloco no MEU SITE o que me "der na telha", desde que não seja ilegal. Quer colocar sua opinião em algum lugar? Pague seu domínio, pague seu provedor de hospedagem e coloque. Mas não venha com discursinho IDIOTA de "democracia"...

Obrigada pela visita e volte sempre, mas volte se for de boa-paz e se entender realmente o que é respeitar a opinião dos outros, ok? hehe

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